Não era preciso puxar a cueca pra receber confetes no bumbum; Não era preciso levar no bumbum o spray de serpentina; Não era preciso insinuar masturbação (Note em 01:52 que o modelo ao fundo, filmado apenas da cintura pra baixo, está exatamente na posição onde é agitada a garrafa (que estoura e jorra espumante)...
Não era preciso mas considero tudo isso muito válido. A peça publicitária não é vulgar (longe disso!), é destinada ao público adulto, não outro. Estando isso claro, a gente pode avançar!
A criatividade permite este jogo dúbio (nem tanto dúbio; É iminentemente gay, mesmo!) o tempo todo: "apenas amigos comemorando a virada do ano" ou "se não fossem gays, que diabos estariam fazendo 4 homens de cueca se esfregando em plena virada do ano?"; "apenas curtindo o clima festivo" ou "levar confetes e serpentina no bumbum indica até a passividade do rapaz".
Assim, as underwears atendem ao público hetero também, já que durante a peça, não faltam closes para os "volumes" dos meninos. Leia-se aí: virilidade. E mais: felicidade, curtição, beleza, sensualidade, prazer, liberdade... Todos esses elementos estão diluídos na ação dos rapazes, na música, nos elementos frenéticos e brilhantes que aparecem no set.
Então fica aí uma dica para a publicidade brasileira aprender (ou, se já o faz, lançar mão mais vezes!): abordar a temática LGBT não precisa SEMPRE ser clichê. Ou seja: não é preciso resumir a temática ao gênero humorístico/ jocoso.
Pensando no Mercado nacional, é verdade que uma empresa tem receio de inovar e não ter sua publicidade aceita. Mas quem é que pensa que eu me refiro a uma empresa cujo produto é acessível a todo mundo? Claro que não!
O que falta é produto para uma determinada classe de indivíduos que geralmente acessa esses produtos fora do país. Quem compra uma Andrew Christian, Unico, Calvin Klein? Aqueles que se identificam com esse universo, têm produtos nacionais (e as respectivas publicidades) equivalentes?
Nivelar todo mundo - e o tempo todo - por baixo acaba tornando tudo muito "sem sal", medíocre, sufocante. É preciso diversificar, apostar, propor (ensinar/ doutrinar)... Nossa publicidade é muito submissa!
Os slogans da AussieBum permitem pensar algo a respeito:
"A cultura é definida por aqueles que a usam".
"Se você duvida de si mesmo, vista outra coisa"
E você já viu as propagandas da D&G? Aqui no Sampa tem uma postagem com algumas marcas famosas e no YouTube elas abundam!
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