E foi assim: duas semanas antes de acabar o ano, as pessoas foram contagiadas por um daqueles vírus comportamentais (ok, isso não existe, mas faça de conta que você entendeu exatamente o que isso quer dizer) que as tornou benevolentes.
Todo mundo sabe que apesar de eu ter vários rótulos detestáveis, como por exemplo, grosseiro, racionalista demais, chato, briguento, teimoso, antissocial, etc, eu sou um tanto ingênuo e fácil de acreditar em papéis e interpretações daqueles que são bem melhores que eu (Ops, fui irônico; Acrescente isso na minha lista!).
Sendo ingênuo, acreditei, talvez porque eu quisesse acreditar, que eu experimentava algo raro nos dias de hoje: conhecer pessoas realmente de "um outro molho".
Deixa eu esclarecer este ditado (alguns ditados que eu aprendi, talvez sejam exclusivos à minha INVENTIVA família): Dizer que algo é "de um outro molho" significa dizer que trata-se de qualquer coisa distinta, de algum modo superior, incomum, especial.
Pois é: Pessoas realmente dispostas a compartilhar amizade, gentis, otimistas (OTIMISMO não é um "super atributo" para mim, mas vá lá). As conheci no FACEBOOK - uma rede social daquelas que eu já critiquei aqui no Sampa. Veja bem: não estou a falar de todos os contatos da rede social, hein?!
Acontece que hoje é 02 de Janeiro de 2012 e, ao que tudo indica, as pessoas já se enjoaram daquela aparente polidez. A impressão que eu tive foi de ter sido enganado; Foi de que naqueles dias e até o término dos fogos de artifício, todo mundo encenou uma pequena peça (Diga-se: uma encenação extra! Explico isso adiante) e que, no fim deste teatro onde a personagem era crível nada daquilo seria mais preciso.
Dois dias depois das tocantes mensagens, as velhas disputas egoicas, as velhas manias de "Dr. Sabe Tudo", o mau e velho senso comum à tira colo... Tudo o que reinava de imprestável e que eu vinha reparando a vida toda como "modus vivendi" desde a minha geração e todas as de lá pra cá, voltou. Só 48 horas! Se fosse algo bom, deveria ir pro Guiness Book, mas não é!
Como é que eu melhoro convivendo com gente assim, umbiguista e conformadamente ignorante?
Como é que eu posso trancafiar meus defeitos e alimentá-los com boas práticas se não há insumos em qualquer parte?
Botando as cartas na mesa, é o seguinte: Deve haver em cada pessoa a intenção sincera e muita, mas muita vontade (capaz até de suplantar o EGO) de ser gentil, bacana, saudável, etc, pois só assim - aos pouquinhos e sem fantasias e superstições - a gente progride como espécie.
É difícil fazer mas não é coisíssima nenhuma inalcançável querer começar. A gente (eu mas você, também, querido leitor!) tem de lutar com a gente mesmo, com nosso ego. Não pode esperar vencê-lo, porque isso já é vaidade. Deve pretender - pelo tempo que for preciso - subjugá-lo.
Isso exige várias batalhas e, portanto, não se trata de uma única guerra. Quem pensar assim, de novo, está sendo vaidoso.
Por outro lado, querer iniciar este combate não está - insisto: de jeito maneira! - longe de cada indivíduo.
De uma vez por todas: o inferno NÃO SÃO OS OUTROS; É o cada "eu" existente! Acontece que a gente só quer admitir o "eu" dos outros, pondo o da gente em outro patamar.
Ser gentil é uma sugestão para um primeiro e longo passo: Como ser gentil apesar da ignorância alheia? Vou repetir com outras palavras: Como se manter centrado nesse fim de se melhorar quando alguém quer dar uma de bom pra cima da gente ou quer prejudicar um de nós?
Não sei a resposta. Danou? Não, não danou. Eu não sei a resposta, mas tenho certeza de que ela existe e, assim, ela é possível.
Que outra escolha a gente tem senão mais do mesmo? Ao menos que você considera que o suprassumo da ação humana é viver esse "mar de representações" que são todas as vivências (sim, não há uma pessoa vivendo de outra forma, porque essa vivência só existe se for coletiva) que sabe se ser insatisfatórias?
Ouse pensar de outro modo (eu também me escondo da verdade, antes que você queira me envolver em julgamentos detestáveis), mas estará atuando, fingindo, mentindo uma mentira da mais banal: A felicidade não existe nunca pra gente! Se a gente vive na representação, apenas representação de felicidade (que alguns chamam de "momentos felizes" e que outros, mais tolos que os primeiros, afirmam "ser felizes").
E então, a gente vai continuar vivendo uma vida imbecil? Eu sei que tanto pra você quanto pra mim, optar por isso é bastante tranquilo; Estamos acostumados; Nos é cômodo porque a lição está aprendida - embora em alguns casos, como no meu, isso já tenha me levado a depressão algumas vezes.
Esta é minha ideia. De novo, um ingenuo; Um idealista. Bom, mas isso me mentém vivo.
Esta é minha ideia. De novo, um ingenuo; Um idealista. Bom, mas isso me mentém vivo.


Concordo com você, por isto que este ano resolvi não mandar nenhuma destas mensagens positivas e simpáticas para os outros pois justamente acho algo muito superficial, apenas um protocolo bobo.
ResponderExcluirParabéns pelo post.
Obrigado pelo comentário "Anônimo"! Eu fiz algumas correções que, depois de uns minutos, ao reler a postagem, me pareceram necessárias.
ResponderExcluirAliás, acrescentei algo que, com despeito às suas palavras, talvez explique porque eu insisto em algumas ideias: Se eu não me apego a uma ilusão, não faz sentido - ou melhor - não é possível viver socialmente.
Eu odeio a falsa bondade de Natal, os falsos desejos de Réveillon e as expectativas vazias do ano que chega. Bjos
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